Sapucaia sai em comitiva pela defesa do Pião

 

Uma comitiva de Sapucaia, liderada pelo prefeito Fabrício Baião, e composta por vereadores e populares, esteve nesta quinta, dia 21 de junho, na ALERJ (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), para acompanhar audiência pública sobre o Projeto de Lei 4.029/2018, que estabelece novas divisas para que a demarcação da Vila do Pião esteja inserida unicamente nos limites de Sapucaia.

Hoje, o Pião é dividido territorialmente entre Sapucaia, Teresópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto, mas os investimentos locais são feitos quase que exclusivamente por Sapucaia.

A reunião, de responsabilidade da Comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Regional, foi presidida pela autora do projeto, a deputada estadual Marcia Jeovani. A parlamentar enfatizou que sua preocupação não é a demarcação das divisas dos municípios, mas a população: “Ficou bem claro que o maior investimento na localidade é de Sapucaia. Se a cidade não estivesse à frente, o Pião estaria à deriva”, disse.

O prefeito de São José do Vale do Rio Preto, Gilberto Martins, afirmou que não abre mão da parte do território pertencente ao município, de cerca de 10 km de extensão, e vereadores locais deixaram claro que só se interessam por este trecho.

O prefeito Fabrício Baião informou que, antes de pertencer a Petrópolis e posteriormente se emancipar, São José do Vale do Rio Preto era parte de Sapucaia. “Esse trecho pleiteado sempre foi esquecido por São José. No Pião nós temos o CEMP Prof. Dezilma Marques de Souza, temos posto de saúde com mais de 100 atendimentos diários, quadra poliesportiva… Temos uma emenda de R$ 4 milhões para ser gerida, que não pode ser utilizada porque a situação permanece indefinida”, disse.

Segundo Fabrício Baião, nesses 143 anos, Sapucaia vem investindo na região: “Atualmente gastamos cerca de 700 mil mensais no Pião. Se São José ficar com esse trecho, não posso ter investimentos lá porque o CRAS, a quadra, o posto de saúde estão no limite de Teresópolis, que já se manifestou oficialmente dizendo que não quer o território, assim como Sumidouro. Se São José quer o pedacinho dele, temos que saber o que será feito do restante. O que será feito da população? Das crianças da escola, dos atendimentos no posto de saúde? Quem vai se responsabilizar pelo povo? Mais importante do que cuidar do ISS, da arrecadação, é pensar na dignidade das pessoas. Minha questão é somente essa. Eu prefiro ver um filho vivo, bem cuidado, do que esquartejado. Vamos deixar essa criança viva”, encerrou o prefeito.

O vereador de Sapucaia Jackson Carneiro da Rocha, em seu comentário, esclareceu que o posto de saúde e o cemitério foram construídos por Sapucaia. “Hoje o cidadão paga R$ 400,00 para enterrar uma pessoa. Se colocar Pião no atestado de óbito, Sapucaia não pode enterrar. E nós nunca cobramos taxa por isso. Todos os registros de imóveis são cadastrados em Sapucaia. Se temos no Pião agência dos Correios, cartório, DPO, CRAS, é graças a Sapucaia”, afirmou.

O morador do Pião, Damiano, questionou o grupo de São José do Vale do Rio Preto: “Cobrar para enterrar não é fazer algo pela comunidade. Nós temos transporte escolar no Morro do Agudo, que pertence a vocês, graças a Sapucaia. Temos transporte para faculdade graças a Sapucaia. Porque vocês também não fazem isso”, falou.

O servidor Leandro Marcelino completou: “Eu escolhi ser sapucaiense. Conheci os cinco distritos e me apaixonei. E o que vejo aqui hoje, me desculpem, são dois lados: este de Sapucaia, composto por gente comum, de moradores. E do outro lado, técnicos falando de números. Não dá para chegar aqui e falar que vão fazer algo que nunca foi feito. Estamos falando de pessoas”, ressaltou.

A Comissão, após ouvir os presentes, deliberou que será marcada uma nova reunião, com representantes técnicos de cada município envolvido para, junto ao CEPERJ (Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro), buscar uma solução que contemple os anseios da população. Em seguida, ocorrerão outras audiências antes do projeto seguir para votação em plenário. Sapucaia, certamente, estará acompanhando.

Comunicação PMS

Fotos: Sindiclei Baião